História de Carreira Nuno Maganinho
Antes de se tornar Senior Mechanical Engineer na ACE, Nuno Maganinho tinha um plano completamente diferente para o seu futuro. No ensino secundário, engenharia nem sequer era a sua primeira escolha. Adorava desporto, jogava badminton e considerou seriamente seguir uma carreira no mundo do desporto. Mas depois de falar com um vizinho que estudava Engenharia Mecânica, ficou curioso sobre a área e as suas possibilidades. O que começou como uma conversa acabou por moldar o rumo de toda a sua carreira.
Um caminho inesperado para a engenharia
Quando o Nuno olha para trás, a sua decisão de estudar Engenharia Mecânica não fazia parte de um plano para a vida toda. "No ensino secundário, eu queria seguir desporto. Adorava desporto, mas não queria ser professor de educação física. Comecei a procurar alternativas e acabei a falar com um vizinho que estava a estudar Engenharia Mecânica. Gostei do que ouvi e, basicamente, foi assim que tudo começou."
Acabou por estudar em Coimbra e construiu a sua carreira em Portugal, a trabalhar em projetos complexos de design de máquinas e a assumir gradualmente maiores responsabilidades. Antes de ingressar na ACE, o Nuno já era responsável por projetos industriais de grande escala, liderando equipas e supervisionando o desenvolvimento de máquinas completas com sistemas de automação. "Um dos últimos projetos em que trabalhei envolvia uma linha de produção completamente nova. Era responsável por quatro ou cinco pessoas e tive de supervisionar todo o projeto. Tínhamos quase dois milhões de euros disponíveis para esse projeto." O trabalho em si era desafiante e gratificante. O que o levou a procurar oportunidades no estrangeiro foi outra coisa. "Eu gostava do que fazia. O motivo pelo qual saí de Portugal foi a progressão na carreira e o salário. Comecei a olhar para o futuro e a pensar: quanto tempo vai demorar até ganhar um salário que considere aceitável? A resposta era simples: provavelmente nunca."
Porquê os Países Baixos?
A ideia de mudar para o estrangeiro começou, na verdade, com inúmeras conversas entre o Nuno e um amigo enquanto viviam juntos em Évora. "Estávamos os dois um pouco cansados da situação em Évora e começámos a falar em ir para o estrangeiro. Ele estava a ver a Suíça e eu disse: 'Esquece a Suíça, vamos para os Países Baixos'." Embora a Suíça parecesse inicialmente atrativa devido aos salários, o Nuno olhou além dos números. "O objetivo não era ir para o estrangeiro apenas para poupar todos os cêntimos e enviar dinheiro para casa. Eu queria viver a minha vida. Queria aproveitar a experiência também." Os Países Baixos ofereciam um equilíbrio entre oportunidades de carreira, qualidade de vida e crescimento profissional. Na altura, o Nuno esperava plenamente que a mudança pudesse tornar-se permanente. "Sinceramente, pensei que talvez nunca mais voltasse."
A entrada na ACE durante a COVID
Mudar de país já é um desafio. Mudar de país a meio de uma pandemia global é algo completamente diferente. O Nuno viajou para Eindhoven para a sua entrevista na ACE mesmo antes de as restrições da COVID começarem. "Lembro-me de pensar: vão fechar tudo e eu vou ficar aqui preso." Embora outra empresa também estivesse interessada nele, a ACE agiu rápido. "Recebi uma chamada a dizer: 'Nuno, a ACE quer-te.' Tinha ouvido coisas ótimas sobre o ambiente e a cultura, por isso disse: vamos a isso." Poucos meses depois, estava a preparar uma mudança internacional enquanto grande parte do mundo estava confinada. "Ligaram-me em abril e disseram que queriam que eu começasse em agosto. De repente, tive de organizar tudo a meio da COVID."
A adaptação à vida num novo país
Apesar de gostar de mudanças, o Nuno admite que mudar para um novo país não foi fácil. "Sou uma pessoa que tem sempre medo da mudança. Embora já me tenha mudado muitas vezes e, no geral, goste de novas experiências, continuo a ter esse receio." Chegar aos Países Baixos durante a pandemia tornou as coisas ainda mais desafiantes. "Sou bastante reservado e tímido, mesmo que nem sempre o pareça." Felizmente, não estava completamente sozinho. Partilhou um apartamento com o amigo que se tinha mudado com ele, algo que ele acredita ter feito toda a diferença. "Se não o tivesse lá, acho que teria sido caótico."
Tal como muitas pessoas durante o confinamento, acabaram por encontrar desculpas criativas para sair de casa. "Começámos a correr porque era praticamente a única coisa que se podia fazer. O mais engraçado é que nós os dois odiávamos correr. Fazíamos aquilo só para sair de casa."
O que mais o surpreendeu na cultura de trabalho neerlandesa
Uma das maiores diferenças que o Nuno notou não foi técnica, mas sim cultural. "Trabalhar com as pessoas nos Países Baixos foi muito mais fácil para mim do que em Portugal." Ele aprecia o estilo de comunicação direto e a forma como o trabalho é organizado. "Se as pessoas precisam de alguma coisa, simplesmente vão ter contigo e pedem." Para alguém que não gosta de conversas de circunstância forçadas, esta foi uma mudança bem-vinda. "Em Portugal, às vezes tinhas de começar com toda uma conversa antes de pedir alguma coisa. Eu odeio isso. Se quero falar com alguém, quero que seja porque genuinamente me apetece falar com essa pessoa."
Ele também apreciou o planeamento e a estrutura. "Geralmente há mais tempo para fazer as coisas em condições." Dito isto, o Nuno apressa-se a salientar que nenhum país é perfeito. "Às vezes acho que as coisas também podiam avançar um pouco mais depressa."
O regresso a casa
Após quatro anos nos Países Baixos, o Nuno tinha construído uma carreira de sucesso e uma vida confortável. O regresso a Portugal não fazia inicialmente parte do plano. Vários fatores mudaram a sua perspetiva. "Comecei uma relação e a minha namorada vivia no Porto. Também queria estar mais perto da minha família."
Ao mesmo tempo, surgiu outra oportunidade. A ACE estava a preparar-se para estabelecer uma presença mais forte no Porto, algo que o Nuno já tinha discutido várias vezes com o Simão. "Quando essa oportunidade se tornou real, percebi que era provavelmente a única hipótese que teria de regressar a Portugal e, ao mesmo tempo, continuar o meu percurso com a ACE."
Havia também mais uma razão. "Estava a ficar um pouco cansado da chuva."
Fora do trabalho, o Nuno sempre gostou de se manter ativo. "Adoro padel." O que começou em Portugal continuou nos Países Baixos, onde inscrever-se num clube de padel local o ajudou a conhecer pessoas e a fazer amizades fora do ambiente profissional. Uma memória ainda se destaca. "Um amigo neerlandês ia de férias e ofereci-me para o levar ao aeroporto. Ele acabou por me emprestar o seu carro por mais de uma semana. Fiquei honestamente surpreendido com esse nível de confiança."
Os seus interesses vão para além do desporto. Filmes, séries, PlayStation, noites de Magic: The Gathering com colegas e até aulas de kitesurf perto de Haia tornaram-se parte da sua experiência neerlandesa. Uma das suas memórias favoritas envolve as regulares quintas-feiras à noite com os colegas da ACE. "Acabávamos o trabalho, subíamos para a cantina, jogávamos Magic: The Gathering e encomendávamos pizzas para o jantar."
Hoje, algumas coisas mudaram, mas muitas continuam iguais. O padel ainda faz parte da sua vida. Tal como os filmes, os jogos e o tempo passado ao ar livre. A maior diferença é que agora tem a oportunidade de partilhar esses momentos com as pessoas que lhe são mais próximas.
Olhando para trás
Para o Nuno, a viagem de Évora para Eindhoven e o regresso ao Porto nunca foi apenas sobre mudar de país. Foi sobre encontrar oportunidades, abraçar novos desafios e construir uma carreira nos seus próprios termos.
Seja a liderar grandes projetos de engenharia, a adaptar-se à vida num novo país durante uma pandemia ou a ajudar a aumentar a presença da ACE em Portugal, ele encarou cada etapa da mesma forma: de forma direta, pragmática e com um bom sentido de humor.
E se há uma lição que a sua história destaca, é que às vezes uma conversa casual com a pessoa certa pode mudar o rumo de toda uma carreira.
Através da ACE, tive a oportunidade de construir uma carreira internacional, abraçar novos desafios e experienciar a vida num ambiente completamente diferente.
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